O folclore brasileiro, um dos mais ricos do mundo, formou-se ao longo dos anos principalmente por �ndios, brancos e negros. Saiba mais:
Regi�o Sul
Dan�as: congada, cateret�, bai�o, chula, chimarrita, jardineira, marujada.
Festa tradicionais: Nossa Senhora dos Navegadores, em Porto Alegre; da Uva, em Caxias do Sul; da Cerveja, em Blumenau; festas juninas; rodeios.
Lendas: Negrinho do Pastoreio, do Sap�, Tiaracaju do Boitat�, do Boigua��, do Curupira, do Saci-Perer�.
Pratos: churrasco, arroz-de-carreteiro, feijoada, fervido.
Bebidas: chimarr�o, feito com erva-mate, tomado em cuia e bomba apropriada.
Regi�o Sudeste
Dan�as: fandango, folia de reis, catira e batuque.
Lendas: Lobisomem, Mula-sem-cabe�a, Iara, Lagoa Santa.
Pratos: tutu de feij�o, feijoada, lig�i�a, carne de porco. Artesanato: trabalhos em pedra-sab�o, colchas, bordados, e trabalhos em cer�mica.
Regi�o Centro-Oeste
Dan�as: tapiocas, congada, reisado, folia de reis, cururu e tambor .
Festas tradicionais: carvalhada, tourada, festas juninas.
Lendas: p�-de-garrafa, Lobisomem, Saci-Perer�, Ram�ozinho.
Pratos: arroz de carreteiro, mandioca, peixes.
Regi�o Nordeste
Dan�as: frevo, bumba-meu-boi, maracatu, bai�o, capoeira, caboclinhos, bambol�, congada, carvalhada e cirandas.
Festas:: Senhor do Bonfim, Nossa. Senhora da Concei��o, Iemanj�, na Bahia; Missa do Vaqueiro, Paix�o de Cristo, em Pernambuco; romarias - destaca-se a de Juazeiro do Norte, no Cear�.
Regi�o Norte
Dan�as: marujada, carimb�, boi-bumb�, ciranda.
Festas: C�rio de Nazar� (Bel�m), ind�genas.
Artesanato: cer�mica marajoara, m�scaras ind�genas, artigos feitos em palha.
Lenda: Sumar�, Iara, Curupira, da Vit�ria-r�gia, Mandioca, Uirapuru. Pratos: caldeirada de tucunar�, tacac�, tapioca, prato no tucupi.
FOLCLORE DO ESTADO DO ESP�RITO SANTO
O folclore do Esp�rito Santo � t�o diverso quanto �s origens �tnicas e culturais do povo da regi�o. Influ�ncias portuguesas, africanas, italianas e alem�s coexistem e se mesclam num surpreendente mosaico que abriga desde os romances cantados e cantigas de roda da Pen�nsula Ib�rica aos ritmos quentes das chulas e lundus das senzalas.
Este trabalho revela nuances de algumas das mais expressivas manifesta��es da cultura popular capixaba, como a banda de Congo "Amores da Lua", a mais famosa de Vit�ria; o Jongo, o Caxambu e o Catamb� - dan�as cantadas precursoras do samba; o Reis-de-Boi e as Pastorinhas, folguedos de origem b�blica que comemoram o nascimento de Jesus; e o Ticumbi de Concei��o de Barra, tradicional bailado em louvor a S�o Benedito.
E no artesanato, destacam-se as famosas paneleiras com seus artefatos de barro queimado, e os trabalhos com conchas das regi�es de Guarapari e Pi�ma.
Bandas de Congo
Conjunto musical t�pico das regi�es litor�neas do Esp�rito Santo, a banda de congo toca e canta principalmente em festas religiosas, como as de S�o Benedito, S�o Pedro, S�o Sebasti�o e Nossa Senhora da Penha.
S�o grupos compostos por pessoas simples, que utilizam instrumentos rudes feitos por eles mesmos com pau oco, barricas, taquaras, peles de animais, folhas-de-flandres e ferro torcido.
Tambores, caixas, cu�cas, chocalhos, casacas, ferrinhos ou tri�ngulos, pandeiros. Ao som desses instrumentos, homens e mulheres cantam velhas e tradicionais toadas, em que h� refer�ncias � escravid�o, � guerra do Paraguai, aos santos de devo��o popular, ao amor, � morte e ao mar.
S�o toadas marcadas pelo alongamento das vogais finais no fecho dos versos, o que confere um certo ar melanc�lico entre as batidas de percuss�o.
Grupo do tradicional folclore capixaba, as bandas de congo aparecem registradas em documentos antigos.
Reis-de-Bois
O Reis-de-Boi tem origem b�blica, e ao longo de um m�s comemora a adora��o do Menino Jesus pelos Reis Magos. Acompanhados por sanfonas e pandeiros, os foli�es assumem personagens humanos, animais e entidades fant�sticas, cujas aventuras giram em torno da morte e ressurrei��o do boi.
Pastorinhas
Tamb�m de origem b�blica, as Pastorinhas anunciam o nascimento de Jesus em Bel�m. Doze mo�as vestidas de saia xadrez, blusa branca e usando chap�u de palha enfeitado bailam e entoam seus c�nticos.
Folias de Reis
As folias de Reis s�o muito comuns nos munic�pios do sul do Esp�rito Santo. S� em Muqui, por exemplo, existem 15 grupos, com seus palha�os cabriolando e fazendo gra�as.
Caxambu e Catamb�
O Caxambu e o Catamb� s�o cantorias t�picas do sul do Esp�rito Santo, tradicional em Cachoeiro. As batucadas varam as madrugadas, e nelas s�o usados tr�s tipos de tambores: dois maiores e um pequeno, chamado de candongueiro nas rodas de samba.
Ticumbi
Realizado a mais de 200 anos e passado de pai para filho, o Ticumbi � o mais tradicional folguedo em louvor a S�o Benedito. Os ensaios se iniciam em outubro, e as festas acontecem nos dois �ltimos dias de dezembro e no primeiro dia do ano, tanto em Concei��o da Barra como em Ita�nas.
Jongo
Durante as festas juninas ou de S�o Benedito, o povar�u se re�ne para o Jongo, dan�ando e sapateando ao som dos tambores.
O congo dos mascarados foi inventado para comemorar a festa de Nossa Senhora da Penha. � um mundo de gente, que se estende por quil�metros e quil�metros da estrada de Cariacica, agitando com seu baticum a tranq�ilidade da zona rural.
Influ�ncias Europ�ias As influ�ncias europ�ias s�o v�vidas na cultura popular do Esp�rito Santo. Bons exemplos s�o os grupos de dan�as, que promovem as melhores tradi��es italianas e pomeranas.
No s�c. VIII a Espanha foi invadida pelos �rabes, que l� ficaram por 800 anos. O Alardo � uma representa��o popular das lutas entre mouros e crist�os.
Assombra��es, frades e tesouros Lendas de frades indicando tesouros existem em quantidade em nossa cidade. Numa �poca em que os colonos, escravizando os �ndios, contavam com os seus fortes bra�os para os enriquecerem, os jesu�tas, como anjos protetores, procuravam coibir os abusos catequizando os gentios.
Como resposta, sofreram toda sorte de persegui��es, dando-se conflitos nas capitanais, at� que o Marqu�s de Pombal resolveu expulsar os jesu�tas de Portugal e das col�nias. A�, ent�o, segundo os antigos, enterravam eles seus tesouros para que n�o fossem despojados dos mesmos, esperando rev�-los quando voltassem.
Na fonte dos Frades costumava aparecer um frade em p�, na beirada do po�o ali existente. Esta fonte fica localizada ao p� do morro da Penha e recebeu este nome porque l� os escravos apanhavam �gua para os frades do Convento beberem, por ser �gua muito boa. Ali tamb�m as escravas da Penha lavavam, n�o s� a roupa do Convento, mas tamb�m a roupa da grande freguesia que tinham na cidade. Gabavam-se de ser a roupa mais bem lavada da cidade e que cheirava �s folhas perfumadas com que costumavam esfreg�-las.
Tamb�m na beira do po�o do Amorim (no caminho para Inho�) aparecia sentada uma linda jovem de cabeleira loira solta ao sabor do vento. Esta mesma jovem, em noites de luar, aparecia em p� no alto da pedra de Nossa Senhora, em frente ao po�o.
Num lugar, conhecido na �poca como Cruz das Almas, situado entre a Praia Formosa e o s�tio onde funcionou a primeira f�brica de sab�o de Vila Velha, � noite, aparecia um padre debaixo de uma �rvore. Este padre morrera naquele local, que ficou respeitado por todos. Os canoeiros, por ali passando, tiravam o chap�u e se benziam.
Adaptado de "Vila Velha de Outrora", de Maria da Gl�ria de Freitas Duarte
A TROVA FOLCL�RICA
Trecho do Livro de Cl�rio Jos� Borges, "Origem Capixaba da Trova", publicado na Serra, ES, em Outubro de 2007.
Uma dos mais importantes pesquisadores do Folclore do Estado do Esp�rito Santo foi o Professor Guilherme Santos Neves. Nascido a 14 de Setembro de 1906 e j� falecido, o Professor Guilherme nasceu no Esp�rito Santo e foi membro da Academia Espirito-Santense de Letras. Publicou os livros �Cantigas de Roda�, em 1948 e �Cancioneiro Capixaba de Trovas Populares�, em 1949, entre outros livros.
GUILHERME SANTOS NEVES nasceu no dia 14 de setembro de 1906, na cidade de Baixo Guandu, ES. Bacharelou-se em Ci�ncias Jur�dicas e Sociais, exerceu as fun��es de Juiz do Trabalho e Professor da Universidade Federal do Esp�rito Santo. Dedicou-se, de corpo e alma, ao estudo do Folclore, havendo publicado mais de cem livros e folhetos, entre os quais Cancioneiro capixaba de trovas populares (1949), Alto est� e alto mora (1954), Hist�ria popular do convento da Penha (1958), Folclore brasileiro: Esp�rito Santo (1959), Romanceiro capixaba (1980), Cantigas de Roda I e II (s/d), al�m de artigos e ensaios publicados em jornais e revistas especializadas. Foi membro do Conselho Nacional de Folclore. Faleceu em Vit�ria, ES, no dia 21 de novembro de 1989.
Antes de falecer, j� bastante idoso, o professor Guilherme Santos Neves, no per�odo de 1980 a 1989, participou de algumas promo��es do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, chegando a prefaciar o livro �O Trovismo Capixaba�, de Cl�rio Jos� Borges, publicado em 1990.
Na Revista �Folclore�, �rg�o da Comiss�o Espirito-Santense de Folclore, n�mero 92, publicada em agosto de 1979, o Professor Guilherme conta a hist�ria de Dalm�cia Ferreira Nunes, uma mulher nascida em Ca�aroca, pequena vila do interior de Cariacica, Esp�rito Santo que f�ra trabalhar como empregada dom�stica em sua casa.
Conta ele que Dalmacinha ou Macinha foi trabalhar em sua casa em mar�o de 1946, ou seja tr�s anos antes do professor Guilherme publicar o seu livro �Cancioneiro Capixaba de Trovas Populares.�
Dalm�cia Ferreira Nunes era dotada de excelente mem�ria. Humilde e de pouca instru��o, tinha o privil�gio, isto �, a qualidade de gravar com facilidade as cantigas e os versos que ouvia. Ouvira as cantigas e as Trovas de sua m�e e de suas tias, quando de noite se reuniam para conversar. Como naquele tempo as pessoas do interior n�o possu�am r�dio e a televis�o ainda n�o existia, pois s� chegou no Brasil em 1950, o maior divertimento eram as reuni�es que se faziam com as fam�lias durante a noite, no quintal das casas do interior do Brasil.
Assim as hist�rias, as cantigas e as Trovas eram contadas e cantadas pelos mais velhos e Dalmacinha, em Ca�aroca, ainda crian�a, ia gravando-as na mem�ria.
Literatura Oral era a forma praticada pelos antigos que contavam hist�rias e recitavam Trovas para os mais novos, numa �poca em que os livros eram raros, ou seja, quase n�o existiam. Assim Dalmacinha e muitas outras mulheres idosas e os conhecidos �pretos velhos� deste pa�s, portadores de excelente mem�ria, s�o os que d�o excepcional contribui��o para os pesquisadores, formando a Literatura Oral Brasileira.
Dalm�cia faleceu a 13 de Agosto de 1968, sendo enterrada, junto aos seus parentes, no cemit�rio de Barra do Jucu, ent�o um povoado, hoje bairro importante e tur�stico de Vila Velha, Munic�pio da Grande Vit�ria.
Na Revista j� citada �Folclore�, de 1979, o artigo do professor Guilherme Santos Neves ocupa oito p�ginas. Ali est�o 76 Trovas. Tr�s est�rias. Vinte e nove supersti��es e crendices, onde constam mais tr�s Trovas e cinco Advinhas. O t�tulo � �Folclore de Ca�aroca� e traz uma foto de uma senhora com um len�o na cabe�a e a legenda: �Informante Dalm�cia Ferreira Nunes.�
A primeira Trova refere-se ao fato de que, segundo o Professor Guilherme, Dalm�cia:
�Para comentar um fato, registrar um instante, para fixar um sentimento, dizia sempre uma Trova. Algu�m falava em viajar, e logo, l� vinha a Trova adequada:
Adeus, minha sempre-viva,
at� quando nos veremos.
As pedras do mar se encontram,
assim n�s tamb�m seremos...�
Eis algumas Trovas Populares, resgatada do passado gra�as a oportuna pesquisa do Professor Guilherme Santos Neves e a mem�ria de Dalmacinha e que constam do artigo publicado na Revista �Folclore�:
De correr venho cansada,
de cansada me assentei,
achei o que procurava,
agora descansarei...
Abacate � fruta boa
enquanto n�o apodrece.
O amor � muito bom
enquanto n�o aborrece...
Atirei um lim�o doce
na menina da janela.
Ela me chamou de doido,
doidinho estava eu por ela.
Eu n�o quero Santo alheio
dentro do meu orat�rio.
Eu s� quero meu santinho
pr� fazer meu pedit�rio...
Eu perguntei � Fortuna
de que � que eu viveria.
Ela foi me respondeu
que o tempo me ensinaria.
Eu plantei um p� de cravo
na janela do meu bem.
Todo mundo passa e cheira,
eu n�o sei que cheiro tem...
Menino se tu soubesses
o bem com que eu te adoro,
fazia dos bra�os remo,
remavas pr� onde eu moro...
J� fui amada e querida
at� das flores do campo.
Hoje me vejo desprezada
de quem eu queria tanto.
Quando eu entrei nesta casa,
logo vi cheia de rosa,
meu cora��o logo disse
que aqui tem mo�a formosa...
Uma velha muito velha,
de t�o velha se curvou.
Ouviu falar em casamento
a velha se endireitou...
Tanto verso que eu sabia,
veio o vento, carregou.
S� ficou-me na mem�ria
o que meu bem me ensinou...
Vamos dar a despedida
como deu cachorro magro,
que encheu sua barriga
e foi sacudindo o rabo.
Fim do Trecho do Livro de Cl�rio Jos� Borges, "Origem Capixaba da Trova".
Artesanato em Conchas
Conhecido internacionalmente, o artesanato de conchas � caracter�stico do Litoral Sul. Mas � em Pi�ma que esta arte tem sua maior express�o, sendo respons�vel pelo sustento de dois ter�os da popula��o local.
S�o colares, enfeites, porta-retratos e ba�s feitos com conchas e b�zios que depois s�o vendidos em feiras e exposi��es no centro da cidade.
Artesanato Ind�gena
No munic�pio de Aracruz, onde est�o as reservas ind�genas Pau-Brasil, Comboios, Boa Esperan�a, Caieiras Velhas e Iraj�, � possivel apreciar as pe�as de palha que os �ndios tran�am formando desenhos em utens�lios de cores muito vivas.
Capara�
Situado na divisa do Esp�rito Santo com Minas Gerais, a Regi�o do Capara� comp�e um santu�rio ecol�gico no qual encontra-se uma significativa �rea preservada de Mata Atl�ntica. Os munic�pios de Alegre, Guacu�, Dores do Rio Preto, Divino S�o Louren�o, I�na, Irupi, Ibitirama, Muniz Freire, Ibatiba e S�o Jos� do Cal�ado formam a regi�o que vem despontando para o turismo com seu grande potencial para o eco e o agroturismo.
A grande atra��o � o Pico da Bandeira, com 2.890 metros, o 3� maior pico do Brasil, localizado no Parque Nacional do Capara�.
Mosteiro Zen
Uma vida simples, integrada � natureza e voltada para o autoconhecimento do ser humano. Assim a Roda do Dharma continua girando no Mosteiro Zen Morro da Vargem.
Nas montanhas de Ibira�u, munic�pio de regi�o norte do Esp�rito Santo, em meio a uma reserva de Mata Atl�ntica, localiza-se o primeiro mosteiro zen da Am�rica Latina, o Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem. Desde que foi fundado pelo mestre Ryohan Shingu, em 1974, o Mosteiro dedica-se � forma��o de monges segundo os preceitos do oriente. Toques de sinos, cantos de sutras e disciplina rigorosa s�o em tudo semelhantes aos grandes centros zen budistas da �sia.
O Mosteiro tamb�m oferece treinamentos para os leigos. Todos os meses, homens e mulheres de todas as partes do pa�s entram em contato direto com o zen, reunindo-se para os retiros, conhecidos como seshins. Nesses encontros, monges e leigos praticam o zazen, que consiste em meditar im�vel, sentado em frente a uma parede branca.
Al�m dos retiros peri�dicos, o Mosteiro tamb�m abre aos domingos para visita��o p�blica monitorada. Um lugar de paz e tranq�ilidade, ideal para reflex�o sobre o equil�brio entre a vida e a natureza, assim � o Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem.